jazz para os intranqüilos

não espelho
não quero amar ninguém
com você por dentro.
algumas palavras cruas
ainda me doem as cáries
e os comprimidos vermelhos
da lua de fogo
foram retirados do mercado.
ficaram os caquinhos de estrelas
balbuciando versos quebrados
dentro da imagem da noite aflita
esse medo.
(todos sabem que perdi feio
logo no primeiro páreo
então não me diga nada
que possua asas).
apenas beberei cerveja choca
e fumarei filtros brancos
quando tudo ficar entre as quatro paredes
e só nós dois.
- claro que posso ser de gelo e não derreter.
então pousarei minhas mãos sem memória
no crespo dos cabelos
e farei chover
apagando o tempo.
serei um pouco de cada um de mim
e você poderá escolher o pedaço mais doce.
(agora que já não quero paz nenhuma
você pode rasgar todos os planos da eterna luz).
haverá sim no duplo negativo
de você e eu
essa tristeza vítrea
diante dos meus pensamentos
de homem líquido secando ao sol
essa certeza clara na sombra refletida
que não amarei ninguém
com você por dentro.
Escrito por jorge mendes às 00h54
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